terça-feira, 10 de maio de 2011

[Lado B] Besteirol midiático sobre video games

Confesso que busquei evitar falar disso anteriormente, em razão de lamentáveis acontecimentos recentes, a busca de culpados pela tragédia e a consequente crucificação dos mesmos; e apesar desse assunto sempre ressurgir na grande imprensa de tempos em tempos, em uma busca por audiência que se aproveita vergonhosamente de ocorrências deploráveis, o nível vem descendo cada vez mais, chegando dessa vez às raias do ridículo, culminando num espetáculo de desinformação e factóides mais que irritantes para quem gosta e entende de video games. Em suma, o assunto da coluna Lado B dessa quinzena é a tonelada de besteiras ditas pela grande mídia sobre video games.
O eterno retorno. Essa foi a melhor forma como pude sintetizar a maneira como o assunto é tratado de tempos em tempos pela grande imprensa, ressuscitado aleatóriamente ou após casos que comovem a opinião pública, a avalanche de reportagens sobre a violência nos games e como ela influencia as pessoas, ao ponto de moldar a mente destas e demonstrar como jogos eletrônicos transformam jovens normais e saudáveis em assassinos sanguinários e impiedosos, capazes de matar inocentes e indefesos sem o menor remorso. Sempre a mesma conversa fiada, sempre. O espetáculo de mentiras e desinformação ressurge, acusando os video games de serem fábricas de assassinos, de que jogos violentos transformam pessoas outrora pacatas e mentalmente saudáveis em homicidas cruéis, em matérias e reportagens que se valem de sofismas e desonestidade intelectual.
Embora o assunto ressurja ocasionalmente, pegando carona em algum acontecimento lamentável, a forma como é abordado pela grande imprensa é sempre a mesma, tentando através dos argumentos e artifícios mais rasteiros e desonestos demonstrar o "grande mal" que são os video games, sempre sugerindo, ainda que de forma implícita, a proibição de jogos considerados violentos e inadequados, como se isso fosse uma medida eficaz contra a violência e prevenisse possíveis massacres. Aliás, a própria proibição de jogos eletrônicos que supostamente fomentam a violência é uma medida inócua, pois mesmo que se proíba a venda do jogo original, versões piratas estarão acessíveis a todos, seja na internet ou no camelô mais próximo. Apesar da liberdade de expressão não ser absoluta, não abrangendo a manifestação - por qualquer meio - de ideias preconceituosas, que incitem ou façam apologia ao crime, a proibição indenvida fundamentada em mentiras ou preconceitos, seja de jogos eletrônicos ou qualquer outro tipo de obra, é um atentado à liberdade de expressão.
As mentiras e a desinformação sempre se fundamentam em "pareceres técnicos" de especialistas e opiniões de autoridades sugerindo a proibição da venda de alguns games, num uso de um argumento de autoridade na esperança de que isso venha a influenciar o povo quanto aos "malefícios" dos games violentos.
Para finalizar, meu objetivo em momento algum foi exaltar o conteúdo de games violentos, contudo, não posso ficar indiferente diante da torrente de besteiras que vem sendo ditas. Ao contrário do que a mídia sensacionalista diz, video games não são fábricas de assassinos.

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